Quarta-feira, 16 de Maio de 2012
Qual é o valor da tua ferramenta?

150 ou coisa assim anos depois do início da luta comunista propriamente estruturada contra o capitalismo, ainda existem comunistas que escrevem coisas assim: "Até para o mais fiel defensor da boa fé dos mercados e do capitalismo, [não sei quê não sei que mais]". Isto significa que o Tiago Mota Saraiva vê o defensor do capitalismo, ou seja, a pessoa contra a qual dedica grande parte da sua energia ideológica, como alguém que alimenta as suas tácticas e estratégias políticas segundo o pressuposto de que "os mercados" possuem, ou são capazes de gerar, uma moral e justiça inquestionáveis, as quais devem ser preservadas e emolduradas em talha dourada. Ora, excepto para uma meia dúzia de excêntricos, nenhum defensor do capitalismo possui qualquer ilusão quanto à verdadeira competência do capitalismo: é, de muito longe, a forma de organização que mais informação consegue produzir para uso efectivo das relações económicas entre pessoas, organizações e países; e que, em consequência disso, a diferença de capacidade produtiva entre uma sociedade comunista e uma sociedade capitalista é tal que mesmo uma ideologia de inequívoca "boa fé" como o comunismo nunca jamais conseguirá oferecer aos seus súbditos condições de vida comparáveis ao capitalismo mais escandalosamente amoral e selvagem, e isto mesmo descontanto as mundialmente famosas desigualdades. E é só isto, um gajo não se põe a protestar boas fés, muito menos a nossa. Enquanto o Tiago Mota Saraiva não for a banhos com esta simples observação, a sua luta será sempre contra uma mera meia dúzia de fantasmas da raia capitalista, que com certeza lhe permitirão viver sem atribulações dialécticas, mas que muito dificilmente avançarão a sua causa (como enfandonho e mole liberal da democracia parlamentar, o meu desejo é que o seu sistema se depure e encontre o seu lugar de possibilidade na sociedade burguesa). O comunismo, antes de se debater com as crises do capitalismo, deveria resolver um problema que sempre atormentou quem teve o azar de ser por ele esmagado: como produzir mais eficientemnte as merdas que as pessoas, depois dos dias de trabalho que sempre nos escravizarão, querem? É que eu, e acho que as pessoas todas, querem merdas, muitas merdas, quanto mais merdas posssamos ter melhor, e os meus dias só têm sentido, e a própria vida, com merdas, muitas merdas, à mão. O comunismo será muito bom a criar justiça na distribuição das merdas que existem, mas depois não consegue arranjar forma de aferir que merdas é que as pessoas querem, quanto mais produzi-las. É mais que um azar, os comunistas precisam de perceber, que as sociedades que incentivam a detenção privada dos meios de produção e a acumulação de capital tenham sempre conseguido sobreviver melhor às ambições desmedidas das pessoas relativamente à posse de merdas que aqueles que sonham com a criação de um comité de estarolas a suar "boa fé" pelos poros com a função de dizer esta merda aqui vai para aquele senhor ali e aquela merda acolá para aqueloutro além. A questão, na verdade, é esta: se o Tiago Mota Saraiva (já disse que respeito o Tiago Mota Saraiva?; que gosto dele? que temos o mesmo corte de cabelo? não queria causar-lhe problemas com os intelectuais do seu blogue, mas isto é tudo verdade) não vê inconveniente em escolher o capitalismo que combate com o objectivo de não ter muitas chatices a escrever um post, que incentivo temos nós para ir muito além do comunismo do Correio da Manhã? Em consequência, deixo aqui o famoso, mas também o melhor vídeo da história do comunismo português e da minha vida:

 



publicado por maradona às 09:06
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Sábado, 12 de Maio de 2012
Ali entre Costas do Cão e Pêra


publicado por maradona às 13:45
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