


.jpg)

Voltamos a esclarecer, nomeadamente estas paisagens, que nunca ninguém tentou afirmar que o Busquets é o "culpado"; há uns anos o Del Bosque disse que se pudesse escolher ser um jogador queria ser o Busquets, mas, fora essa hipérbole - que aliás pode ser contextualizada -, nunca me deparei com exercícios que tentassem migrar demasiadamente para fora do óbvio e do evidente. Perante o futebol do Barcelona, que é novo e que é vencedor, o analista típico, mais que ensaiar uma nova interpretação, tenta sobretudo não cometer nenhuma injustiça. Este Barcelona começou por ser o Messi (na realidade, primeiro foi o Ronaldinho Gaúcho, mas isso é talvez complicar demais); a seguir reparámos no Xavi; depois o Guardiola fez-nos reparar que o Iniesta até podia jogar com o Xavi, e, posteriormente e para espanto do próprio Alex Ferguson que o tinha tido às ordens e o deixou escapar, que o Piqué era um espécie de Iniesta às cavalitas do Xavi com uma cobertura de Hierro; finalmente, lá reparámos então no Busquets do vosso presente descontentamento, o qual, como referi no capítulo anterior, teve desde o início - repito: teve desde sempre! - uma enorme falange de pessoas que nele tinham reparado desde os primeiros primórdios. São cinco pessoas, tantos quantos os cinco stradivários do Clube de Portugal, que nunca foram acusados de ser demasiados para aquilo que a sua nomeação em conjunto tenta explicar. Piqué, Busquets, Xavi, Iniesta e Messi não formam, como se constata, um número inédito, e nós, os especialistas em nos armarmos em especialistas, garantimos ao Vasco Barreto que não vai aparecer mais ninguém (afirmo, pelo menos, que dessa não ocorrência depende toda a minha presente teoria).
PS:"Jobs matter. They certainly matter to the well-being, material and psychological, of those who struggle to find one. Whether they matter enough—and specifically whether these low-skill manufacturing jobs matter enough—to undertake major and costly government interventions in the economy, in the process potentially harming the effectiveness of America's innovative businesses, is the question with which American workers and leaders are now wrestling. The answer seems clear enough to me, though my perspective is obviously different from those elsewhere in the economy. Until there is a meaningful improvement in American labour markets, however, especially for those without a college degree, recapturing those assembly jobs from China will continue to linger as a policy temptation."
Um texto que me parece, aqui. Escarrapacho de seguida um quadro de um pintor cujo nome tem um acento num local esquisito, para que quem aqui venha pela primeira vez "imediaticamente" constate que, sendo embora este espaço um proeminente locus de devassidão cultural, também posso ser convidado para participar em programas de televisão para falar sobre as merdas:
No post aqui em baixo, o José Mário Bronco, que de josé mário não tem nada, encaixou um comentário às 03:50 da madrugada de 25 de Janeiro, o qual, como é frequente, merece ser lido. Nele José Mário Bronco utiliza uma técnica "muito à frente". Enquanto a "populaça" tenta perceber que factores estarão envolvidos na criação pelo Barcelona de uma maneira nova de praticar bom futebol simualtaneamente a um automatismo tão infalível de vencer, o José Mário Bronco "aplicou a técnica do "sou tão bom nisto que vejo o que mais ninguém vê"", ou seja, "entra ao pé-coxinho" no Finalmente "só para que as pessoas olhem para ele". O "truque consiste" em fazer reverter o fenómeno analisado ao seu estado puro inicial, peneirando todo e qualquer vestígio de debris analítica entretanto produzida, classificando-a como lixo tóxico oriundo da superficie da psicanálise social, e portanto de moralidade ociosa. Ou seja: José Mário Bronco "vê aquilo que mais ninguém vê" não vendo absolutamente mais nada; é como se olhar muito tempo para um auto-retrato do Rembrandt ou se ao lermos cinco vezes o Crime do Padre Amaro não nos oferecesse mais nada sobre os mesmos. Na verdade José Mário Bronco não deixa de ter razão, muito embora lhe falte técnica de observação e, em consequência, o critério. A música, o cinema, a literatura, a arte, as finanças e a política são ambientes onde o fenómeno descrito abunda, não haverá portanto nenhuma razão para que no futebol não faça a sua aparição. Sucede que o Busquets é um mau exemplo: é que, primeiro, nunca ninguém disse que ele é a razão última para o Barcelona ser o que é, segundo, ninguém está a tentar ver o que mais ninguém viu porque, muito simplesmente, há 4 anos que toda a gente fala no Busquets como um dos não sibstituíveis, a par do Pique, Xavi, Iniesta e Messi. De resto, estou aqui sem fazer nada.
Uma pessoa dedicada inclusivamente à literatura, como eu e o irremediavelmente vasto conjunto de pessoas genericamente designado por "gajas", mas que só ontem, em derivado à sua (minha) modéstia, foi capaz de admitir que as pessoas da Fnac têm razão em colocar o Atlantic: The Biography of an Ocean do Simon Winchester na secção de história, já, dizia eu em mim, não em me bastava ser uma pessoa que não cumpre com os seus deveres (ainda que possa apresentar atestado médico), senão também ser confrontado com realidades como as que me obrigam a intervir naquilo para onde não fui chamado, como esta vasta manisfetação de coisas com que eu ou não concordo ou apenas concordo mais ou menos.
A situação do Busquets é de uma antiguidade implausímel, para não dizer implausível; é antiga porque já em 2008 a Espanha deveria ter jogado com o Busquets em vez do Senna, mesmo que este Senna, se não me engano, tenha sido considerado o melhor jogador desse torneio. A partir daí o mito do Busquets não parou justificadamente de se inflacionar, culminando, para mim, na sua performance contra a Alemanha nas meias finais de 2010, onde terá portagonizaado a melhor exibição de um médio-lá-onde-ele-joga que alguma vez vi na vida. Logo na altura fiz referência ao assunto, com os vídeos adequados; e aqui bate um vigéssimo do meu ponto: é estranho que o Entre Dez tenha gasto tantos pixeis quando, bem vistas as coisas, bastaria este mais que magnífico video do Real Madrid-Barcelona do fim-de-semana passado:
São inúmeros os vídeos que tentam ilustrar a mestria desenfreada deste génio do futebol, da arte e da literatura, e suas excelências não perderão o vosso tempo se procurarem mais. O meu objectivo presente é apenas o de me revoltar contra a seguinte afirmação do post do Gonçalo:
E assim, finalmente, chegamos a Busquets. O número 16 blaugrana não apresenta dotes técnicos extraordinários. Tão pouco é um jogador muito forte nos duelos individuais.
O problema maior desta frase é que nós compreendemos - e em certa e limitada medida concordamos com - o que ele quer dizer; mas a nossa compreensão do que o Gonçalo quer dizer não contamina de maneira muito óbvia o raciocinio que terá gerado a opinião do próprio Gonçalo: será que ele percebe o que é que ele está a tentar dizer ao longo do post?
Na opinião do meu sistema nervoso central, dizer que o Busquets "não apresenta dotes técnicos extraordinários" e que não será "muito forte nos duelos individuais" é uma forma demasiado ingénua, muito pouco delicada e, na verdade, inverdadeira, de reforçar a ideia de que o Barcelona de Guardiola é a organização futebolística mais perfeita que o mundo já viu. E para a desqualificar bastaria olhar para as imagens, santo deus! Mas parece que não.
A incompreensível máquina de bom futebol vencedor que é hoje o Barcelona não teria mais hipóteses de existir sem o Busquets que o Busquets sem o Barcelona; isto porque os movimentos do Busquets, a tal forma como ele "lê" o jogo ou "cria linhas de passe", são tão consequência de "dotes técnicos extraordinários" e de ser um "jogador muito forte nos duelos individuais" como as características que fizeram do Messi o melhor jogador do mundo. Este raciocinio vale para os restantes jogadores centrais ao Barcelona: Piqué, Xavi, Iniesta (e Messi). Busquets só há um, e, aposto, só haverá um, porque os seus dotes técnicos são demasido extraordinários para que nasça outro no mesmo local, e a sua supremacia nos duelos individuais excessivamente completa para que surja outro na vizinhança do actual periodo temporal.
O "futebol que este Barcelona conceptualiza" pode ter possibilitado um inusitado florescimento a cada um destes cinco violoncelos (até Messi, na selecção Argentina, parece apenas o Laudrup no topo da forma), mas em nenhum momento admitirei que qualquer um deles não fosse indispensável à eficiência de um maquinismo futebolístico avulso onde calhassem a colocar os seus pés; em resumo: o actual Barcelona é uma conjução astral única, estatisticamente improvável, e condenada à irrepetibilidade.
O assessor lambe-botas foi a Penela e, como o paralelismo cacofónico aliás fazia adivinhar, adorou adorou adorou. Viu um "dia glorioso de sol, de ar puro e com gente boa". Sem nos esquecermos da "chanfana", claro, a chanfana, onde terá chafurdado com prazer. Descobriu "outro país" que se está "adequadamente nas tintas para a tagarelice" (qualquer pessoa normal vomita e caga simultaneamente perante este aestilísmo ácaro e subserviente), um país que a penelopezinha do Poder chamada de João Goançalves nunca esqueceu durante os anos em que se dedicou a lascar no Poder que não viajou até ele. Agora, com a pança lá dentro, descobriu a inocente Penela, onde a "gente boa" não deixa a "tagarelice" azedar a "chanfana". Ainda assim, no contexto complexo que assola a economia portuguesa, ainda há muito filho da puta.