Terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010

livros e assim essas coisas.




Domingo, 7 de Fevereiro de 2010

Mais um belo exemplo de desdivulgação científica, por uma das nossas maiores desdivulgadoras, Palmira F Silva. A revista Ler deste mês, que eu adquiri recorrendo aos meus próprios meios, apesar enfim não é assim, tem a ocasional ilha. Comprem.




Os livros do Roy Porter, o Inglaterra-Wales em rugby de ontem, o Henry James, o salame de chocolate do Pingo-doce, a Samsung LE26B450, os bróculos do Pingo-doce, o Remarkable Creatrures, o meu novo casaco Columbia, enfim, é toda uma panóplia de coisas.

 




Quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010

The Iniesta Generation

Soccer players are reputed to do it for 90 minutes and some fans of Barcelona, inspired by their favorite team, did it … and did it … and did it.

 

It has been nine months since Barcelona, within the span of only a few days, trounced its arch rival Real Madrid, 6-2, in the country’s capital and ran away with the title in Spain’s La Liga.

  

Then, in the second leg of the UEFA Champions League semifinal at Stamford Bridge in London, Barcelona’s Andrés Iniesta scored the away goal that sent Barca to the final, where it thrashed Manchester United.

 

Fans being fans, some celebrated with a few pints of their favorite adult beverage, others engaged in another favorite adult activity — sex.

 

On Thursday, Reuters reported the maternity wards at hospitals in the capital of Catalonia have been jammed after an increase in births of almost 50 percent. COMRadio’s survey of area hospitals found that births this week and those expected soon are more than 45 percent above the average.

 

Residents have dubbed the surge in births the Iniesta Generation. It is not known, however, how many of the bouncing young Catalans have been named Andrés.

 

“When we notice some sort of surge we look for the reason and it’s evident that the cause of the increase this week is the euphoria of Barca fans thanks to the huge win and Iniesta’s goal,” Mercedes Rodriguez of the city’s Quirón Clinic told the daily El Mundo.




Inclusivamente, bom dia. É com a minha habitual extrema simpatia que me disponibilizo para mais este comentário ao Austrália Open, um evento desportivo, e a outros aspectos da vida, um evento hipotético. Há uns anos que desisti de comentar, e muito antes disso, compreender, os elevados níveis de incompetência desportiva das ilhas. Quem quer que tenha seguido a imprensa inglesa no periodo que antecedeu aquela coisa de Domingo de manhã, deve ter ficado com má impressão do jornalismo desportivo inglês, nomeadamente depois de assistir ao que de facto aconteceu no interior daquela estrutura entre-aberta. O volume de textos perfeitamente escritos que enumeravam as razões porque teria chegado finalmente o momento anglicano do ténis mundial definem um carácter e um padrão; mas o sintoma do padrão que esse carácter define não é o sinal de mau jornalismo desportivo (como se pode constatar abrindo qualquer jornal inglês na sua secção desportiva), mas da desadequação espírita da pessoa rodeada por água por todos os lados para a prática de actividade física em relação com um objecto redondo.

Andy Murray said he needed to play the best tennis of his life to beat Roger Federer in the final of the Australian Open. He didn't. And he didn't. Federer said he would win if he got in front early. He did. And he did.
 
Murray é um grande jogador de ténis (como eu próprio anunciei aqui neste espaço há coisa de 4 anos); mas seria muito melhor jogador de ténis se a bola fosse oval; ou se em vez de uma bola, o ténis se jogasse com uma tíbia; ou com um pipo; ou com uma garrafa de água meio cheia (referência cultural). Tudo menos algo que esteja disposto a fazer depender a sua trajectória da vontade do jogador. No Domingo, como se calhar no resto da sua previsivelmente aleatória carreira, Murray esqueceu-se dessa particularidade ontológica: a bola de ténis está ali para ser mandada. Será por os ingleses (o Murray é inglês, nuita atenção a isto, não se deixem enganar pela propaganda) serem intrinsecamente democráticos? A verdade é que injectaram em Murray um feitio, ao qual ele não tem conseguido, já se viu, escapar; no meu entender (que será o vosso entender já a seguir), Andy Murray só ganhará um Grand Slam quando descobrir uma maneira de escapar à tutela da vaca da sua mãe (que substituiu a vaca da mãe do Djokovic como a vaca de merda mãe de jogador mais vaca do ténis), e de introduzir uma ordem superior de auto-determinação nas bolas de ténis com que, enfim, se joga o jogo de ténis. Como é que isso se poderá fazer? Se a endocrinação ideológica está fora de questão (são objectos inanimados), o que Murray poderia passar a fazer era deixar de pensar o jogo, e em vez de, por exemplo, atacar durante horas seguidas a renovada esquerda do Federer (longa, com top spin; e o gesto continua a ser curto, facil de desfazer e, muitas vezes ainda, lindo de morrer), tentar explorar os pontos fracos da sua própria técnica tenística. Por exemplo: a famosa direita que ele falhou, e que lhe ofereceria o terceiro set, aconteceu porque alguém lhe meteu na cabeça que a direita descruzada não lhe sai bem e, metódica e estrategicamente, colocou em acção o desmaquiavélico plano de fazer o que a racionalidade probabilística aconselha, mas que toda a gente, incluindo a rede, poderia prever; como diz o desta vez não tão insuportável Bernardo Mota, "na minha opinião" é este sobrecarregar das suas pancadas mais fortes que desprotege o jogo de Murray em relação às regularidades do universo; a hiper-estatistiquização do seu plano de jogo resulta numa tendência (cumulativa) para a principio peterização da narrativa dos acontecimentos que saem da sua raquete, que fatalmente atinge o seu apogeu nos momentos de maior auto-consciencia, ou seja, os pontos decisivos. Murray, não só teve, tem, que lutar contra este programa ao nível pessoal e tenístico, como, inclusivamente, ao nivel do império, o que, como devem calcular, acab por influenciar até a composição hormonal do rapaz.

 

Bem, telefonaram-me, tenho que ir ali acabar umas merdas e o caralho. amanhã ou assim venho aqui acabar isto.




Quinta-feira, 28 de Janeiro de 2010

Fazendo uso dos meus próprios recursos, descobri no Twitter uma referência às minhas supostas gralhas-de-bico-vermelho, nomeadamente no post aqui em baixo. Não só não existe nenhuma gralha-de-bico-vermelho (nesse ou noutro espectacular post), como, inclusivamente. Esta teoria de que eu dou gralhas-de-bico-vermelho tem muito que se lhe diga. Um dia venho aqui dizê-lo.

 




Quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010

...este texto do Garry Kasparov. É melhor que o Roy Porter, a Hanna Arendt, o Daniel C. Dennett, o Carlos Daniel, os Toots and the Maytals e a relação preço-preço da pescada congelada nº 3 do Modelo* juntos.

 

* estou a preparar uma excelente resposta a todos os níveis menos um ao texto do Miguel Esteves Cardoso sobre a aquacultura.





Terça-feira, 26 de Janeiro de 2010

"At fourteen Pugin decided to write a book on castles."

 




Segunda-feira, 25 de Janeiro de 2010

Anda, com a graça e absolvição de Deus (ou do autocarro dos ateus, como for o caso), sempre muito mal acompanhado, mas cheira-me que há ali um faro para o ridículo que não se auto-exclui. Se eu estiver enganado depois aviso.




"Lucio has been booked for a dive, the Nerazurri look disgusted. AND SNEIJDER'S BEEN SENT OFF! FOR SARCASTIC CLAPPING! They're having to drag him off the pitch."

 

Aqui.




... está aqui um bom post. E o que é um bom post, perguntam-me vocês e o caralho? Eh pá, num primeiro momento será uma merda que se lê do princípio ao fim com surpresa mas sem dificuldade; num segundo momento passa-nos a satisfação de ter estado metido numa correnteza de fluidez e de imprevisibilidade intelectual para nos vermos arrastados por um discurso que não nos deixa confortáveis com a nossa materna espectacularidade (andei a ler Eugénio de Andrade). Eventualmente acabamos por reler o post as vezes que forem desnecessárias até que voltemos novamente ao útero do que fomos (peço encarecidamente ao Pedro Paixão que não me plagie esta do "útero do que fomos"), mas o principal disto é que será sempre irrelevante se foi a nossa ignorância concreta que nos despertou a curiosidade sobre o que lemos ou o brilhantismo de quem escreveu que nos sequestrou para onde não nunca quisémos ir (está tudo bem). Uma e outra coisa são eixos unidos por um paralelismo férreo (José Luis Peixoto, não te atrevas!), em que o ignorante esforçar-se-à até ao limite por sobre-ignorar uma visão que lhe será sempre estruturalmente grotesca, e o escritor até às trevas insatisfeito pelas demasiado famosas insuficiências da linguagem em se transformar concisa e claramente numa imagem decente do que lhe é interiormente tão óbvio. Quer-me parecer que esta dupla-tensão, apesar de casual uma da outra, nunca chega a ser dialéctica, ou seja, a produzir uma síntese. Pelo menos uma síntese racional, porque o que de facto acontece é que uma pessoa continua a gostar de ler as coisas que gosta de ler. Amor, Inês Pedrosa, o Amor, foda-se, é assim tão dificil de perceber?! 




O tragicamente concebível Vasco Campilho conseguiu ter uma polémica com o Pedro Picoito. É como se o Mendes Bota participasse numa polémica com o Obama. Depois do Stendhal, resta-me o Australia Open para me alhear as noites.




Domingo, 24 de Janeiro de 2010

“The GM debate became a surrogate for concerns about other, larger issues of globalisation, food security and safety, intensive agriculture and the sanctity of nature. The growing global demand for food is re-opening the debate in the UK; this time GM should be seen for what it is - one of several ways to develop new crops, each of which should be considered on its own merits and risks. The question is not, do we want GM or not? Rather, what kind of agriculture and food systems can provide the food and environment we need?”

 

Neste site, gentilmente cedido por uma pessoa etc. Após o que gentilmente aconselho o seguinte pedacinho de um vasto e maravilhoso apple crumble:

 

"As the global crisis has made starkly apparent, the deficiencies of our own economy, so these contrary qualities of the African peasant economy look increasingly appealing. Indeed, the counter-culture in our own society: the new emphasis upon the consumption of local produce, on organic food, and on farmers’ markets, is a pallid version of a lifestyle of which that of the African peasant is the hallmark.

This is not how I see rural Africa: I see not a paradise but a prison. Peasant agriculture offers only a narrow range of economic activities with little scope for sustaining decent livelihoods. In other societies people have escaped poverty by moving out of agriculture. The same is true in Africa: young people want to leave the land; educated people want to work in the cities."

 

No sempre inqualificavelmente bom Harvard International Review, consto no supra-magnífico número Agriculture: Feeding the Planet, que eu não adquiri contra 17 euros na Tema aqui há dois meses, já prevendo a situação de estar tudo disponivelzinho, como se as coisas não custassem dinheiro a fazer.

 







Quinta-feira, 21 de Janeiro de 2010

Did our Neolithic ancestors start to grow crops so they could bake bread? Perhaps not: maybe the real point of agriculture was beer... more...and more.




eu não gosto do João Gonçalves, nunca hei-de falar com o João Gonçalves (derivado às minhas habituais dificuldades com a democracia e o mundo civilizado), acho que o João Gonçalves representa metade do Portugal que eu quero que não se repita, considero, no fundo, que ele é mau; mas, como também sempre fui dizendo ao longo de todas as minhas obras completas, o cabrão escreve bem e, embora raramente e por razões que permanecem por apurar, dá pontapés em cheio nos colhões das pessoas que não têm colhões para pensar:
 
 Logo, ao fim da tarde, ocorre uma missa de corpo presente em Alcântara promovida por uma editora e por um falso jovem político que pretende imolar-se no altar da pátria depois de tentar esfolar o do PSD. Lança, o falso jovem político, uma "autobiografia" como se tivesse uma biografia e como se, com tamanha frivolidade, comovesse o país. Como não faltam bloggers e blogues acólitos, com escribas com propensão para "Carlos Castro-depois-de-ter-lido-as-obras-completas-de-Filipa-Martins", ficaremos a saber tudo sobre o "evento". Aliás, os acólitos estão sempre atentos e, conta o Filipe, a dar a cara pelo «candidato ideal porque é jovem e não está habituado aos vícios da política.» Eles vicejam na estupidez e julgam que os outros também são estúpidos. É evidente que não se deve desconsiderar a estupidez, como ensina o prof. Cipolla, sobretudo naquele sentido em que as pessoas não estúpidas subestimam sempre o potencial nocivo das pessoas estúpidas, ou em que os não estúpidos se esquecem constantemente que, em qualquer momento, lugar e situação, associar-se com indivíduos estúpidos revela-se, infalivelmente, um erro que se paga muito caro. Mas já chega de plasticina mal amanhada.

 

Daqui.




Tenho muito para vos contar sobre Gaza e ainda mais umas coisas a escrever sobre o Haiti.

 

Pode ler mais sobre mais esta série de ameaças do Daniel Oliveira, aqui.




 

 

What music is on your iPod?
House, all house music. Swedish house music.

 

What do you do to get away from tennis?
I go to my room and play my video game, World of Warcraft.

 

What’s your worst habit?
Focus. I am completely on the seventh sky, overall. If I want to focus, then I am good, but overall focus is a disaster.

 

Who would you most like to have over for dinner, dead or alive?
Frederick Nietzsche, 19th century German philosopher.

 




Segunda-feira, 18 de Janeiro de 2010