Quinta-feira, 9 de Fevereiro de 2012
http://www.guardian.co.uk/environment/blog/2012/feb/09/glaciers-ice-melting-climate-change?intcmp=122

Há aquela questão de saber se é mais importante escolher bem os nossos amigos ou os nossos inimigos (veja-se o caso do Mário Soares). Se primordialmente pensarmos em derrotar alguém, a nossa aliança abarcará muitos que em outros contextos nunca aceitaríamos a nosso lado (veja-se o caso do Mário Soares), e, logicamente, se quisermos fazer sentir a nossa força através da coesão e fidelidade de um grupo, decorrerá que deixaremos no lado inimigo muitos que em tempo de paz sem dificuldade convidaríamos para lanchar (não se veja aqui o caso do Mário Soares, e daí o seu génio).

 

Tendo a achar que a eficiência de cada uma destas tácticas dependerá das especificidades de cada situação (veja-se o caso do Mário Soares), e que grande parte do sucesso das nossas posições ou acções políticas será portanto função da inteligência com que, numa primeira instância, decidimos concentrar esforços a identificar os nossos amigos ou a isolar os nossos inimigos (veja-se o caso do Mário Soares).

 

Naturalmente, estas duas modalidades de acção representam extremos de um gráfico (veja-se o caso do Mário Soares), sendo que, nos tempos que correm e felizmente, a maior parte das situações com que nos deparamos na vida exigem uma síntese entre ambas, e que é nesta área menos higiénica da acção humana - em que não basta decidir entre dicotomias simples como ditadura/democracia ou guerra/paz - que se identificam, para mim, os heróis que me apetece verdadeiramente homenagear (veja-se o caso do Mário Soares).

 

Como constará em anais passados da minha obra poética, considero um absurdo discutir a realidade das Alterações Climáticas, quando mais não seja porque mesmo sem Alterações Climáticas o clima estaria de facto a alterar-se; mas eu e a minha pessoa (já para não falar no caso do Mário Soares) acredito, propriamente, na realidade das Alterações Climáticas, muito embora considere uma estupidez a forma como as chefias mundiais decidiram fazer esse combate: como acontece com todas as batalhas pelos valores naturais, o seu sucesso está inextricavelmente associado à saúde da economia (é cada vez mais possível viver sem a Natureza), pelo que tentar reverter as Alterações Climáticas antropogénicas por um meio que de facto desacelera o crescimento económico é, na prática, a não estar a fazer absolutamente nada. Como se vê.

 

É verdade que eu, como a maior parte das pessoas, costuma alocar mais recursos dialéticos a combater inimigos que a agregar os amigos (não me parece que se veja aqui o caso do Mário Soares), e que as próprias aglomerações de amigos se formam maioritariamente por coincidência de terem escolhido clusters de inimigos comuns (e não se veja aqui, de todo, o caso do Mário Soares). Vai daí, um pouco arrogantemente e como decorre do parágrafo anterior, sempre me pareceu mais útil apontar as catapultas argumentativas contra os protocolos de quioto desta humanidade; por protocolos de quioto chamo todos aquelas intenções e acções políticas que fazem depender a defesa de determinado valor natural da aceitação por parte de todos de um menor nível de consumo (e sim, equiparo o nível de consumo a nível de vida, meus burgueses de merda).

 

O percurso literário que decorreu em naturalidade com esta opção táctica fez-me muitas vezes partilhar posições com o Partido Republicano, um partido que se transformou numa definitiva agremiação de lunáticos. Sou agora confrontado com o facto de que todos os candidatos à nomeação pelo Partido Republicano não se limitam a discordar da realidade das Alterações Climáticas - como no Blasfémias e assim -, mas, indo mais além, a consideram uma hoax.

 

É a partir daqui que uma pessoa chega à conclusão definitiva que não é o Mário Soares. Uma coisa será a excepcional incerteza afecta à investigação e conclusões científicas de sistemas tão infinitivamente complexos como a Meteorologia, incerteza essa que, de facto e no meu entender, merece consideração especial na formação de políticas que dela sejam função; outra coisa "paradigmaticamente" diferente é considerar que o esforço de milhares das melhores cabeças que o mundo produziu fazem parte de um arranjo universal para nos enganar.

 

Penso que é chegado o momento de, temporariamente, mudar de inimigo. Lutar contra uma política errada como o aumento deliberado do custo da energia para custear a sua produção por vias mais dispendiosas que outras ao nosso alcance não é, nestas condições, causa suficiente para aparecer ao lado de jagunços de uma ideologia acientífica e supersticiosa.

 

Mesmo se, daqui por vinte anos, se verificasse que as Alterações Climáticas nunca foram uma realidade, ou que nunca foram uma realidade antropogénica, ou, como é a minha convicção, que nada há que possamos fazer enquanto não descobrirmos alternativas mais baratas às energias fosseis, a minha convição presente é que o inimigo mais perigoso para o Lince-ibérico está em quem defende a mesma política que eu.

 

Claro que, desta forma, as minhas políticas continuarão a ser geradas de forma enfadonha e simples: limito-me a escolher inimigos até à derrota final pelos meus amigos. Mas eu não sou o Mário Soares.



publicado por maradona às 13:31
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Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2012
We have too many acordos ortográficos

O desacordo quanto à magna questiúncula "Acordo Ortográfico" não poderia estar mais longe do meu interesse e capacidades. Por mim o Vasco Graça Moura pode fazer aquilo que muito bem entenda: aplicá-lo, não aplicá-lo, aplicá-lo só um bocadinho, ou mesmo um bocadão. Convencerem-me da importância da não aplicação do Acordo Ortográfico para a cultura portuguesa é que não convencem, como também não me convencem aqueles que acham que o Acordo Ortográfico é uma cena essencial para não sei bem o quê. Mas, fora isto, acho que o Vasco Graça Moura teve uma atitude que se pode apelidar de corajosa, e que a dignidade que o levou a esta tomada de posição informa-lo-à também a arcar com o mesmo estoicismo as consequências que dela advenham. Por isso é que acho muito relevante esta questão levantada por Miguel Madeira no Vias de facto:

 

quase que aposto que 99% dos textos produzidos no CCB não são escritos por VGM (se calhar até os ofícios e circulares são escritos nos serviços administrativos e ele assina). Ora, se um qualquer trabalhador do CCB escrever um texto na nova ortografia*, o que é que VGM vai fazer? Obrigá-lo a escrever o texto de novo? Levantar-lhe um processo disciplinar (por estar a cumprir um tratado assinado e ratificado por Portugal)?

 

Como é que vai ser? Apesar do, como se infere, respeito que esta atitude do Vasco Graça Moura me poderia merecer caso eu percebesse um caralho do que está em causa, a verdade é que acho também que o Governo terá todo o direito em decidir-se pelo despedimento com justa causa do Vasco Graça Moura por este seu acto de desobediência civil (julgo que, no caso em concreto, não vai ser necessária uma carga policial, mas sempre de prevenção, sempre a postos!); mas, e o Vasco Graça Moura? Poderá instaurar um "processo disciplinar" ou despedir um funcionário que, sobrepondo argumentos que o próprio Vasco Graça Moura utilizou para desobedecer ao Estado Português, se recuse a seguir as orientações ortográficas do seu superior hierárquico?



publicado por maradona às 11:12
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Domingo, 5 de Fevereiro de 2012
Não posso negar que em certas ocasiões aplico um acordo ortográfico

Fotografando street style bloggers, uma ideia para um blogue; são tantos, por todo o lado, que não deve ser difícil de arranjar, pelas ruas, um por dia, e fazer um blogue. Uma espécie de congresso de alfaiates Lisboetas. Detecto, todavia, um problema; um problema, não, uma questão: será possível que os street style bloggers me pareçam pessoas tão profundamente desinteressantes como os personagens que, por exemplo, o Alfaite de Lisboeta, com tanta competência e bom gosto e essas cenas assim, tem vindo a reunir? A avaliar por esta amostra, essa pergunta necessita de ser respondida afirmativamente; os street style bloggers serão pessoas que se fotografariam a elas próprias se se encontrassem na rua. É pena, esta desnecessária diminuição de complexidade do mundo; as coisas deviam ser tendencialmente assim:

 

  
Bill Cunningham, o putativo pai dos street style bloggers, veste-se com roupa comprada no mesmo sitio dos homens do lixo de Nova Iorque (isto não é uma piada), e procede ele próprio à aplicação dos remendos quando os mesmos buracos vão aparecendo no mesmo sítio, há cinco décadas. Podem ve-lo neste documentário, facilmente piratiável.


publicado por maradona às 10:13
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Sábado, 4 de Fevereiro de 2012
Muito, muito, muito obrigado

Super espantoso site, que o Tiago Mota Saraiva publicitou neste post do 5 Dias; transcrevo as sua palavras:

 

"Há 50 anos, os arquitectos do meu país revoltaram-se e decidiram enfrentar o regime que lhes procurava impor uma arquitectura de sentido único. Decidiram partir pelo país para reconhecer e aprender com as arquitecturas que não passavam nos ministérios do fascismo. O Inquérito à Arquitectura Popular deu origem a um documento essencial para qualquer arquitecto português desde então: “Arquitectura Popular em Portugal”. Contudo, muitas imagens ficaram fora do livro, num património colectivo que a Ordem dos Arquitectos agora aqui disponibiliza."

 

 



publicado por maradona às 22:12
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Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2012
Poupanças várias

Não costumo dar-me bem com a humildade, pelo que esta energética tomada de posição do Professor Doutor Pedro Lains tende a deixar-me de rastos. Também sou uma pessoa na posse de sentimentos, com castiça coragem o admito, e embora nunca tenha sido directamente nomeado, tudo leva a crer que a retração do Professor Doutor Pedro Lains da sua estratégia de combate à crise através de doações se deveu a insolação argumentativa provocada pela sobre-exposição ao A Causa Foi Modificada. E se todos, em Portugal, fossem como o Professor Doutor Pedro Lains?, abertos à razão, sapiência, sensibilidade estática e paneleirice que, deve ir a caminho dos dez anos, frequentemente irradia deste locus cibernáutico? Imaginemos Portugal como aqui imaginado: sem torres eólicas ou centrais nucleares* (apenas termo-eléctricas a bombar carvão e barragens a serem bombadas por albufeiras), sem o microscópico Portugal do Portugal dos Pequeninos, sem o Clube das Repúblicas Mortas, com linces-ibéricos atrás de cada sobreiro e piscos-de-peito-azul no Jardim das Amoreiras, com primeiros-ministros que primeiro fizeram a escola toda e trabalharam e leram e estudaram um pouco e que só depois se propõem a ser eleitos para ajudar o país a governar-se, com um Clube de Portugal composto por jogadores pretos, inteligentes, rápidos e corajosos, com o José Manuel Fernandes e o João Pereira Coutinho condenados a fazerem um 69 por dia um ao outro, com o 5 Dias (bem, isso já temos), sem pessoas a proselitizar o ateísmo, sem misericórdias a receber dinheiro do Estado para socializar a humilhação dos pobres, com mais blogues assim, e assim. Não era um país mais coiso? No fundo: porque é que não somos todos como o Professor Doutor Pedro Lains?, um gajo que apesar de passar tanto tempo a medir os outros não se esqueceu de se deixar medir de vez em quando. Até à hora do almoço vou permanecer profundamente comovido, está de decidido, e assim evito fazer eu próprio auto-crítica.

 

* somos, como é óbvio, contra o bárbaro investimento numa central nuclear em Portugal; e que pena tenho que, em vez de nos termos tornado num cluster de tecnologias "onde trabalham 2000 mil portugueses que em menos de 3 anos desenvolveram um extraordinário know-how em tecnologias renováveis de excelência", não tivéssemos antes investido essa irresponsável quantidade de dinheiro a desenvolver um "cluster de tecnologias" de eficiência energética, onde também poderiam trabalhar "2000 portugueses", onde também se poderia desevolver um "extraordinário know-how de excelência", mas que não nos deixaria sujeitos e vulneráveis a ver os nossos investimentos destruídos pela histórica e impiedosa imprevisibilidade dos meandros do desenvolvimento tecnológico. É que o dinheiro gasto num aerogerador obsoleto é dinheiro deitado ao lixo a partir do momento em que deixa de haver dinheiro ou vontade política para compensar economicamente o seu déficit de exploração inicial (e este "inicial" é uma bruxaria teórica, claro, pois há a hipótese de termos azar e nunca vir a se-lo; basta para isso que o carvão não suba de preço), enquanto a poupança que se obtém com uma habitação com arquitectura inteligente, construida com técnicas e materiais adequados e tecnologicamente evoluídos, ligada a uma rede eléctrica gerida com as n inovações que ameaçam revolucionar a trasmissão de potência eléctrica, esta será, dizia eu, uma poupança que, mesmo muito depois de perder a sua edge tecnológica, continuará a "gerar" beneficio económico (para além de a mais valia tecnológica ser infinitamente mais complexa e diversa). Entre a "aposta" em tecnologias de poupança e eficiência energética e a "aposta" em tecnologias de produção vai a distância entre um provinciano como José Sócrates que agora deu para estudar ciência política em Paris** (esta gajo não deveria ter estudado antes? soube-lhe bem, é mais (josé) seguro orientar-se primeiro com o know how da tecnologia da intriga intra-partidária, não foi?), e uma pessoa espectacular como eu. (para contraditório mais bem feito que o do Tiago Julião Neves - por quem tenho o maior respeito - consulte-se os variados posts sobre este assunto no tal Imagens com Texto).

 

** desejo, à semelhança do que já fiz em outra rede social, provocar-lhes o contacto com a seguinte frase quase quase quase do José Régio: "Vão a Paris, mas não vêem um caralho à frente do nariz."



publicado por maradona às 10:55
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Pedro Lains, uma espécie de Cavaco

A comentadora "ana" teve o privilégio de me dar a conhecer um link onde o agradecimento aos doadores do Professor Doutor Pedro Cains ainda se faz ouvir; carreguem aqui; mas como não há garantia que os tiques estalinizantes do Professor Doutor Pedro Cains tenham cessado actividade, vamos reproduzir:

 

Aqui vão os resultados da campanha de donativos deste blogue. Antes de mais, um sincero agradecimento pelo gesto dos que contribuíram. Os donativos serão usados para uma assinatura anual do Economist. Devo dizer que os resultados têm mais do que um impacto financeiro, pois os donativos criam uma certa responsabilidade que me tem obrigado a procurar escrever textos mais cuidados, baseados em leituras de documentos, relatórios ou artigos de economia e história económica, e publicados sob a categoria “estudos de estudos”. A campanha continua durante mais um ou dois meses. 

 

[não transcrevi o nome das pessoas porque tenho consciência que as suas doações foram feitas contra-vontade, talvez até sob coação; estarão sequestradas numa cave húmida? tudo é possível, tudo é possível]

 

É sem dúvida intrigante que o Professor Doutor Pedro Cains pretenda reunir os seus textos "mais cuidados" na categoria de "estudos de estudos". O que é esta merda? O gajo vai utilizar um blogue para estudar os estudos, é isso? Então o que nós lhe pagamos através do ICS - e, no meu caso, até pago com agrado - serve para quê? Para o ar condicionado? E se estas doações são para estudar os estudos, e como o dever de um académico é estudar e aprender sempre, já estou mesmo a ver uma segunda vaga de pedidos de doações, desta vez para estudar os estudos dos estudos, os quais, com inviolável imaginação, ficarão publicados na categoria de "estudos de estudos de estudos". E assim por diante, que o saber não usurpa doadores. É um belo esquema, este; tivemos o Esquema de Ponzi, agora temos o Esquema de Cains.

 

Mas o que ainda me fascina mais é a frase final: "A campanha continua durante mais um ou dois meses." Um ou dois meses? Sendo o Professor Doutor Pedro Cains um reputado economista, deve ter feito bem as contas, e "um ou dois meses" devem portanto bastar à angariação dos fundos suficientes para que os objetivos mínimos sejam atingidos, e assim se complete a primeira etapa dos "estudos de estudos". E que objectivos mínimos serão esses? Para além da The Economist, que outras publicações estiveram até hoje vedadas à bolsa deste Professor Doutor?, impedindo-o assim de escrever posts "baseados em leituras de documentos"? O Financial Times? A Foreign Affairs? A National Interest? E internet, ãh?, não quererá o Professor Doutor que os leitores do seu blogue lhe paguem o acesso à internet?

 

Julgo que o Pedro Cains deveria esclarecer detalhadamente estas dúvidas a todos os futuros doadores - nos quais, consoante a qualidade do trabalho apresentado, posso perfeitamente vir a incluir-me. E bom, com a crise e o respectivo aumento dos transportes públicos, calhando é para financiar o novo Navegante, que lhe permitirá utilizar o 755 as vezes necessárias, desse modo transladando-se despreocupadamente entre o ICS e a Universidade Católica sem sobrecarregar essas duas canrenciadas instituições com despesas que outros recipientes se voluntariam a suportar, e a bordo do qual poderá também ir adiantando a sua crónica do Jornal de Negócios, agora, e graças aos doadores do seu blogue, já "baseadas em leituras de documentos", coisa que, ao que se depreende, não aconteceu até aqui.



publicado por maradona às 00:52
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Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2012
Luto pela Verdade

Sem que eu tivesse exigido um tostão, fui informado que o post do blogue do Professor Doutor Pedro Lains linkado aqui em baixo foi entretanto modificado. Onde antes se podia ler o somatório das doações para a assinatura do The Economist e o nome de cada benemérito, está agora um pedido de desculpas a todos aqueles que o visitaram idos deste espaço de cultura, bem como uma crítica ao conteúdo do ensaio que originou o acto censório e adulterante da verdade histórica protagonizado pelo Professor Doutor Pedro Lains. O comité central do A Causa Foi Modificada considera que, a não ser que a metamorfose do post seja uma contribuição irónica para as comemorações de homenagem ao nome "A Causa Foi Modificada", esta acção do Professor Doutor Pedro Lains tem carácter claramente revisionista, e se inscreve num quadro de crescente agressividade contemporânea relativamente aos valores democráticos, em que palavras como "memória", "verdade" e "moral" se vêem cada vez mais ameaçadas pelos mesmos que, diariamente, se ufanam na sua propaganda. Mais informo que também sou convidado para festas, ainda que sejam no MARL, e às 5 da manhã.



publicado por maradona às 20:06
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Se por vezes não dá vontade de

Aqui, e aqui.

 

Aqui há uns tempos, li uma coisa na qual, em consciência, decidi não acreditar, e portanto recalquei. Até à hora do fecho deste post não consegui localizar o texto original, mas temos este desenvolvimento: Pedro Lains pediu dinheiro às pessoas para utilizar na adquisição de literatura que o ajudasse a escrever um blogue melhor e, até agora, 20 malucos que precisam de favores do Pedro Lains (os nomes estão devidamente publicitados, pelo que, e fazendo um pouco de calúnia, aposto que a maior parte são alunos dele ou outro tipo de pessoas que precisam da sua boa vontade) doaram um total de 100 euros que o pedinte vai, alegadamente, utilizar para assinar a The Economist. Sim, a The Economist. Ora reparem: até hoje, o Investigador Coordenador do Instituto de Ciências Sociais (uma das mais faustosas - e algo merecidamente, diga-se - instituições públicas portuguesas) e professor convidado da Faculdade de Economia e Gestão da Universidade Católica (que vive em constantes dificuldades financeiras, como se sabe), não teve condições económicas para assinar a The Economist, essa recôndida e dispendiosíssima publicação só disponível através do contrabando de fotocópias feitas numa antiga tipografia clandestina do PCP ali perto de Pernes ou pagamentos elevados aos guardas-fiscais da alfândega.

 

No outro dia, enquanto o Medina Carreira - recordando os seus tempos de tropa, onde ainda vive - se queixava da qualidade do "pessoal político", ouvi a Judite Nolita de Sousa a dizer que não "perdia tempo" a ler blogues. Pois fique a Nolita de Sousa a saber que os blogues podem não ter muito que ler, mas a sua utilidade é cada vez mais patente, quanto mais não seja a ajudar a financiar a compra de material bibliográfico a pessoas que acumulam os cargos de investigador do ICS e de professor da Universidade Católica, contrinuindo assim para que a investigação científica em Portugal melhore de qualidade. Mas o Pedro Lains não pense que somos todos crédulos; eu não!; descontando o investimento inicial em lata e sem vergonhice na cara para vir pedir dinheiro no blogue para assinar revistas, não estou convencido que o Pedro Lains não vá desviar o que restar do dinheiro para adquirir droga ou ir a cabeleireiros dispendiosos; exijo, por isso, provas inequívocas de que assinou mesmo a The Economist!

 

Claro que um Pedro Lains não faz um manicómio, mas estas pessoas que dão dinheiro ao Pedro lains não para o poder ler mas para que ele possa fazer um blogue melhor, mais aqueles todos que pagam à Maya para lhe lerem a sina, em acrescento àqueles outros que pensam que o Jorge Jesus pode operar no Yannick Djalo um milagre idêntico ao que realizou sobre o Fábio Coentrão, tudo isto não contribui para que eu me convença que eu é que sou o maluco.

 

Aproveito esta oportunidade para fazer o joguinho que se impõe: uma boa despesa era fazermos todos ao Má Despesa Pública o que o Pedro Lains sonhou para si.



publicado por maradona às 13:43
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Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2012
We have no more words

Um texto daqueles, aqui.



publicado por maradona às 17:53
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Domingo, 29 de Janeiro de 2012
o vício do jogo

depois de um governo indulgentemente voluntarista liderado por um primeiro-ministro provinciano e idiota que "apostou" nas energias renováveis, só me faltava um governo de atrasados mentais com um primeiro-ministro tolo que me "apostasse" na energia nuclear



publicado por maradona às 13:00
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francis freud pintou o lucian bacon, e depois o lucian bacon pintou o francis freud; uma confusão do caralho, é o que é; uma quadra:
 

  

 



publicado por maradona às 02:11
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nem sinto necessidade de ir contra os meus valores e informar-me sobre o assunto, pois é por demais evidente que
é esta a minha opinão


publicado por maradona às 00:29
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Sábado, 28 de Janeiro de 2012
o fatídico diomedea exulans, por causa das merdas


publicado por maradona às 00:55
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Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012
A canção de 10 minutos que nunca chega realmente a começar (em Screamadelica, um dos melhores álbuns de sempre)


publicado por maradona às 11:22
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We have no more Busquets

Voltamos a esclarecer, nomeadamente estas paisagens, que nunca ninguém tentou afirmar que o Busquets é o "culpado"; há uns anos o Del Bosque disse que se pudesse escolher ser um jogador queria ser o Busquets, mas, fora essa hipérbole - que aliás pode ser contextualizada -, nunca me deparei com exercícios que tentassem migrar demasiadamente para fora do óbvio e do evidente. Perante o futebol do Barcelona, que é novo e que é vencedor, o analista típico, mais que ensaiar uma nova interpretação, tenta sobretudo não cometer nenhuma injustiça. Este Barcelona começou por ser o Messi (na realidade, primeiro foi o Ronaldinho Gaúcho, mas isso é talvez complicar demais); a seguir reparámos no Xavi; depois o Guardiola fez-nos reparar que o Iniesta até podia jogar com o Xavi, e, posteriormente e para espanto do próprio Alex Ferguson que o tinha tido às ordens e o deixou escapar, que o Piqué era um espécie de Iniesta às cavalitas do Xavi com uma cobertura de Hierro; finalmente, lá reparámos então no Busquets do vosso presente descontentamento, o qual, como referi no capítulo anterior, teve desde o início - repito: teve desde sempre! - uma enorme falange de pessoas que nele tinham reparado desde os primeiros primórdios. São cinco pessoas, tantos quantos os cinco stradivários do Clube de Portugal, que nunca foram acusados de ser demasiados para aquilo que a sua nomeação em conjunto tenta explicar. Piqué, Busquets, Xavi, Iniesta e Messi não formam, como se constata, um número inédito, e nós, os especialistas em nos armarmos em especialistas, garantimos ao Vasco Barreto que não vai aparecer mais ninguém (afirmo, pelo menos, que dessa não ocorrência depende toda a minha presente teoria).

 

PS:"Jobs matter. They certainly matter to the well-being, material and psychological, of those who struggle to find one. Whether they matter enough—and specifically whether these low-skill manufacturing jobs matter enough—to undertake major and costly government interventions in the economy, in the process potentially harming the effectiveness of America's innovative businesses, is the question with which American workers and leaders are now wrestling. The answer seems clear enough to me, though my perspective is obviously different from those elsewhere in the economy. Until there is a meaningful improvement in American labour markets, however, especially for those without a college degree, recapturing those assembly jobs from China will continue to linger as a policy temptation."

 

Um texto que me parece, aqui. Escarrapacho de seguida um quadro de um pintor cujo nome tem um acento num local esquisito, para que quem aqui venha pela primeira vez "imediaticamente" constate que, sendo embora este espaço um proeminente locus de devassidão cultural, também posso ser convidado para participar em programas de televisão para falar sobre as merdas:

  



publicado por maradona às 01:11
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Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012
O melhor programa televisão desde 14 de Dezembro de 1986 (todas das quartas à noite, na RTP 1, por mais um mês)


publicado por maradona às 22:23
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We have no more titles

No post aqui em baixo, o José Mário Bronco, que de josé mário não tem nada, encaixou um comentário às 03:50 da madrugada de 25 de Janeiro, o qual, como é frequente, merece ser lido. Nele José Mário Bronco utiliza uma técnica "muito à frente". Enquanto a "populaça" tenta perceber que factores estarão envolvidos na criação pelo Barcelona de uma maneira nova de praticar bom futebol simualtaneamente a um automatismo tão infalível de vencer, o José Mário Bronco "aplicou a técnica do "sou tão bom nisto que vejo o que mais ninguém vê"", ou seja, "entra ao pé-coxinho" no Finalmente "só para que as pessoas olhem para ele". O "truque consiste" em fazer reverter o fenómeno analisado ao seu estado puro inicial, peneirando todo e qualquer vestígio de debris analítica entretanto produzida, classificando-a como lixo tóxico oriundo da superficie da psicanálise social, e portanto de moralidade ociosa. Ou seja: José Mário Bronco "vê aquilo que mais ninguém vê" não vendo absolutamente mais nada; é como se olhar muito tempo para um auto-retrato do Rembrandt ou se ao lermos cinco vezes o Crime do Padre Amaro não nos oferecesse mais nada sobre os mesmos. Na verdade José Mário Bronco não deixa de ter razão, muito embora lhe falte técnica de observação e, em consequência, o critério. A música, o cinema, a literatura, a arte, as finanças e  a política são ambientes onde o fenómeno descrito abunda, não haverá portanto nenhuma razão para que no futebol não faça a sua aparição. Sucede que o Busquets é um mau exemplo: é que, primeiro, nunca ninguém disse que ele é a razão última para o Barcelona ser o que é, segundo, ninguém está a tentar ver o que mais ninguém viu porque, muito simplesmente, há 4 anos que toda a gente fala no Busquets como um dos não sibstituíveis, a par do Pique, Xavi, Iniesta e Messi. De resto, estou aqui sem fazer nada.

 



publicado por maradona às 14:01
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Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012
Enquanto houver comprimidos há saúde

Uma pessoa dedicada inclusivamente à literatura, como eu e o irremediavelmente vasto conjunto de pessoas genericamente designado por "gajas", mas que só ontem, em derivado à sua (minha) modéstia, foi capaz de admitir que as pessoas da Fnac têm razão em colocar o Atlantic: The Biography of an Ocean do Simon Winchester na secção de história, já, dizia eu em mim, não em me bastava ser uma pessoa que não cumpre com os seus deveres (ainda que possa apresentar atestado médico), senão também ser confrontado com realidades como as que me obrigam a intervir naquilo para onde não fui chamado, como esta vasta manisfetação de coisas com que eu ou não concordo ou apenas concordo mais ou menos.

 

A situação do Busquets é de uma antiguidade implausímel, para não dizer implausível; é antiga porque já em 2008 a Espanha deveria ter jogado com o Busquets em vez do Senna, mesmo que este Senna, se não me engano, tenha sido considerado o melhor jogador desse torneio. A partir daí o mito do Busquets não parou justificadamente de se inflacionar, culminando, para mim, na sua performance contra a Alemanha nas meias finais de 2010, onde terá portagonizaado a melhor exibição de um médio-lá-onde-ele-joga que alguma vez vi na vida. Logo na altura fiz referência ao assunto, com os vídeos adequados; e aqui bate um vigéssimo do meu ponto: é estranho que o Entre Dez tenha gasto tantos pixeis quando, bem vistas as coisas, bastaria este mais que magnífico video do Real Madrid-Barcelona do fim-de-semana passado:

 

 

São inúmeros os vídeos que tentam ilustrar a mestria desenfreada deste génio do futebol, da arte e da literatura, e suas excelências não perderão o vosso tempo se procurarem mais. O meu objectivo presente é apenas o de me revoltar contra a seguinte afirmação do post do Gonçalo:

 

E assim, finalmente, chegamos a Busquets. O número 16 blaugrana não apresenta dotes técnicos extraordinários. Tão pouco é um jogador muito forte nos duelos individuais. 

 

O problema maior desta frase é que nós compreendemos - e em certa e limitada medida concordamos com - o que ele quer dizer; mas a nossa compreensão do que o Gonçalo quer dizer não contamina de maneira muito óbvia o raciocinio que terá gerado a opinião do próprio Gonçalo: será que ele percebe o que é que ele está a tentar dizer ao longo do post?

 

Na opinião do meu sistema nervoso central, dizer que o Busquets "não apresenta dotes técnicos extraordinários" e que não será "muito forte nos duelos individuais" é uma forma demasiado ingénua, muito pouco delicada e, na verdade, inverdadeira, de reforçar a ideia de que o Barcelona de Guardiola é a organização futebolística mais perfeita que o mundo já viu. E para a desqualificar bastaria olhar para as imagens, santo deus! Mas parece que não.

 

A incompreensível máquina de bom futebol vencedor que é hoje o Barcelona não teria mais hipóteses de existir sem o Busquets que o Busquets sem o Barcelona; isto porque os movimentos do Busquets, a tal forma como ele "" o jogo ou "cria linhas de passe", são tão consequência de "dotes técnicos extraordinários" e de ser um "jogador muito forte nos duelos individuais" como as características que fizeram do Messi o melhor jogador do mundo. Este raciocinio vale para os restantes jogadores centrais ao Barcelona: Piqué, Xavi, Iniesta (e Messi). Busquets só há um, e, aposto, só haverá um, porque os seus dotes técnicos são demasido extraordinários para que nasça outro no mesmo local, e a sua supremacia nos duelos individuais excessivamente completa para que surja outro na vizinhança do actual periodo temporal.

 

O "futebol que este Barcelona conceptualiza" pode ter possibilitado um inusitado florescimento a cada um destes cinco violoncelos (até Messi, na selecção Argentina, parece apenas o Laudrup no topo da forma), mas em nenhum momento admitirei que qualquer um deles não fosse indispensável à eficiência de um maquinismo futebolístico avulso onde calhassem a colocar os seus pés; em resumo: o actual Barcelona é uma conjução astral única, estatisticamente improvável, e condenada à irrepetibilidade.

 



publicado por maradona às 23:53
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Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2012
vamos rénar

 



publicado por maradona às 03:37
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Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2012
E depois as pessoas não se admirem (uma homenagem a)

 

 

 

 

 



publicado por maradona às 01:13
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Domingo, 8 de Janeiro de 2012
O maior deles todos

O assessor lambe-botas foi a Penela e, como o paralelismo cacofónico aliás fazia adivinhar, adorou adorou adorou. Viu um "dia glorioso de sol, de ar puro e com gente boa". Sem nos esquecermos da "chanfana", claro, a chanfana, onde terá chafurdado com prazer. Descobriu "outro país" que se está "adequadamente nas tintas para a tagarelice" (qualquer pessoa normal vomita e caga simultaneamente perante este aestilísmo ácaro e subserviente), um país que a penelopezinha do Poder chamada de João Goançalves nunca esqueceu durante os anos em que se dedicou a lascar no Poder que não viajou até ele. Agora, com a pança lá dentro, descobriu a inocente Penela, onde a "gente boa" não deixa a "tagarelice" azedar a "chanfana". Ainda assim, no contexto complexo que assola a economia portuguesa, ainda há muito filho da puta.



publicado por maradona às 12:46
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