Sexta-feira, 14 de Novembro de 2014

A memória invisível (este título autodestruir-se-á à menor rabanada (de vento))

Reproduzo post do desaparecido autor do desaparecido blogue O Céu Sobre Lisboa, o qual agora aproveito-nos-vos para recuperar graças às minhas vastas qualidades de conhecer o Gouveia, o qual me forneceu este link, o qual ainda permite à pessoa de bem aceder a boa parte (mas não todo, a internet é uma merda) do referido blogue, o qual continua a surpreender-me pela maneira distintamente interessante (a qual não está em magnífica evidência no post que assim exponho; para a captarem terão que percorrer o que resta do blogue no link que deixei diluido neste espalhafatoso parágrafo introdutório) que o "Pedro" (não o conheci) tinha de olhar para as coisas de que gostava, as quais são bastantes mas não demasiadas, relembranças as quais nos oferecem mais um homerico-shakespereano exemplo epopeico-dramático da pífia opereta que é a tragédia contemporânea que representa aquilo a que pirricamente persisto em chamar de "a minha memória"; chupem, cabrões: 
 
 
Os movimentos de opinião sobre o que vai acontecendo em Lisboa caracterizam-se principalmente, desde que eu me lembro, pelo reaccionarismo, no sentido original do termo, de resistência à inovação em geral e à arquitectura mais ousada em particular.

Foi assim com o Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, e antes disso, pelo que me contam, com o edifício sede, que era censurado pela sua falta de monumentalidade e pelo betão à vista, interpretados como forretice da milionária fundação; com as torres das Amoreiras; e com o CCB. A lógica da contestação é de dífícil discernimento: o escândalo que foram as Amoreiras foi a par com a indiferença pelo revivalismo neonazi da sede da CGD no Arco do Cego (JA França dixit), cuja construção só foi contestada por ter sacrificado uma antiga fábrica de tijolos; o CCB, construído em terrenos devolutos, foi acusado de lesa-património e mamarracho; mais recentemente, a destruição do melhor da Lisboa oitocentista, desde a Avenida às Avenidas Novas, tem-se feito perante a indiferença geral, enquanto a recuperação dum quarteirão abandonado do Bairro Alto, sem qualquer valor patrimonial, provocou a indignação geral; a transformação do Colégio dos Inglesinhos em habitação de luxo foi objecto duma campanha completamente histérica e irracional, enquanto a destruição da antiga doca e do mercado do Cais do Sodré (um sítio carregado de memórias antiquíssimas) para a construção dum interface de implantação e arquitectura muito duvidosas foi ignorada. E nem escapam à má-língua as intervenções do Siza no Chiado, primeiro, e no buraco da Rua do Alecrim, depois, apesar de ser difícil imaginar soluções mais conservadoras e respeitadoras do sítio.

Na verdade, a resistência à inovação vem pelo menos do século XIX. A Baixa pombalina, que agora se pretende candidatar a património mundial, foi vilipendiada por alguns dos mais ilustres intelectuais portugueses, desde Almeida Garrett e Alexandre Herculano a Júlio de Castilho e Raul Proença.
Garrett qualifica a Baixa de 'vulgar e arratada prosa' com 'vilãs, tão ridículas e absurdas construções públicas'; Júlio de Castilho, considerado o primeiro olisipógrafo, fala de 'aprumado mau gosto' numa urbanização 'simétrica e pesada como a ideia policial'; e Raul Proença lamenta que Pombal não tivesse tido 'tempo nem recursos para erguer construções solenes ou pomposas'.

O Rossio nos princípios do século XX

Expoentes da arquitectura modernista como Carlos Ramos, Cotinelli Telmo, Cassiano Branco e Tertuliano Marques partilhavam de opinião semelhante e propuseram, em 1934, um 'plano de melhoramento estético do Rossio'.

A primeira excepção veio de outro dos principais arquitectos modernistas de Lisboa, Pardal Monteiro, autor, por exemplo, do Técnico, das gares marítimas e do Hotel Ritz. Completamente em contra-corrente, Pardal diz, em 1949, que 'Felizmente, para Lisboa de então e até para os lisboetas de hoje, os homens dessa época tiveram bem o sentido das realidades', louva 'a coragem, a inteligência e o talento do Arquitecto Eugénio dos Santos' e considera o projecto da Baixa 'qualquer coisa de tão grande, de tão perfeito, de tão razoável, de tão português e ao mesmo tempo de tão universal, que se pode considerar no conjunto, sem receio, como do melhor que a história da arquitectura regista em Portugal'.

No entanto, a consagração da Baixa só aconteceria após a publicação, em 1965, da versão portuguesa da tese de doutoramento de José-Augusto França 'La Lisbonne de Pombal -- Une ville des Lumières', na sequência do que França é convidado pela CML, dois anos depois, para definir a área a classificar, evitando, nas palavras do próprio, 'perdas patrimoniais graves'.


Os Restauradores e a Avenida da Liberdade em finais do século XIX

Depois da Baixa, o empreendimento mais importante em Lisboa foi a abertura da Avenida da Liberdade, que motivou um abaixo-assinado com duas mil assinaturas promovido por Ramalho Ortigão, para quem a Aveinda era um 'presente funesto', 'de uma concepção bem tristemente pretenciosa' que 'não serve senão para espalhar os maus hábitos do café e do trottoir, o amor da ostentação, a ociosidade, o boulevardismo, a cocotice, o luxo pelintra da toilette'.

O outro autor de 'As Farpas', Eça de Queirós, falava assim da Avenida: 'Dos dois lados seguiam, em alturas desiguais, os pesados prédios, lisos e aprumados, repintados de fresco'. E comentava que 'Este Portugal decidira arranjar-se à moderna: mas sem originalidade, sem força, sem carácter para criar um feitio seu, um feitio próprio, manda vir modelos do estrageiro (...) como lhe falta o sentimento da proporção (exagera o modelo, deforma-o, estraga-o até à caricatura'. Para Fialho de Almeida, a Avenida era, em 1894, 'um corredor de cantaria', um 'bisonho canal de casarões saloios que arrotam sobre a via, chatos e altíssimos'.


O Saldanha e a Avenida da República nos princípios do século XX

Uns anos mais tarde, em 1906, quando da urbanização das Avenidas Novas, o mesmo Fialho de Almeida escrevia que as casas aí edificadas não passavam de 'fábricas de moagem de seis andares', com palacetes dignos de 'teatros de província' e 'casarões sem estilo nem elegância, sem conforto e sem beleza'.

Ressano Garcia, engenheiro formado com uma das mais altas notas do seu curso na famosa École des Ponts et Chaussés de Paris, responsável, enquanto director da Repartição Técnica da CML a partir de 1874, pela abertura da Avenida da Liberdade, dos bairros a esta adjacentes, e das Avenidas Novas, acabaria por ser demitido, em 1907, por ter tentado controlar a especulação imobiliária dos 'patos bravos' nos novos bairros, e cairia definitivamente em desgraça até à morte, em 1911.

Fontes: Joana Cunha Leal, 'Legitimação artística e patrimonial da Baixa Pombalina', in 'Monumentos', 21 (Set. 2004), DGEMN; J-A França, 'Lisboa: Urbanismo e Arquitectura' (1997), Livros Horizonte; Raquel Henriques da Silva, 'Lisboa de Frederico Ressano Garcia' (1989), Gulbenkian/CML
publicado por maradona às 00:37
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Sábado, 8 de Novembro de 2014

As repetições de margaret bourke white

 

 

publicado por maradona às 21:16
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Quinta-feira, 6 de Novembro de 2014

à educação do valupi

Como não consigo ver os jogos, decidi variar e, em vez de passar este tempo - em que os jogadores do Bruno de Carvalho tentam sabe-se lá o quê com o Schalke 04 - a jogar Chuckie Egg, atirei-me a tentar espremer ou imaginar uma origininalidade ou profundidade a este texto do Valupi. Não me parece injusto tamanha exigência, dado que o Valupi tratou de citar Umberto Eco

 

(com, e agora cito eu o Valupi, a “distância da memória”, fenómeno do diabo que por certo estará na origem de não se ter apercebido que incorria num tipo de ridículo que não era visto à solta desde os tempos do João Pereira Coutinho ou do Henrique Raposo, e quando estes eram ainda muito novos, mas agora com o bónus de apanharmos também com um tresandante cheirinho a azeite)

 

dizia eu, salvo erro, que se auxiliou Valupi de Umberto Eco naquela cena não sei quê e tal só "os fúteis consideram que as coisas fúteis são fúteis". Ora, esforcemo-nos por estoicamente aguentar a angustiante banalidade de tudo isto e que a eventual citação não passará de uma corrupção de, pelo menos, Oscar Wilde: o que o Valupi declaradamente nos diz é que o seu texto é uma tentativa, depreende-se que afútil, de interpretar o Bruno de Carvalho em beneficio das ciencias “social”, “económica” e, fasten your seatbelts, “antropológica”; o Valupi é o nosso Frans de Waal do Bruno de Carvalho. Colocando-se corajosamente Valupi neste patamar é justo que o tentemos julgar não nessas altitudes (a que não almejo, dado ter asma e vertigens), mas pelo menos acima de “ogre narcísico e primário”, que é como o Valupi adjectiva Bruno de Carvalho.

 

A ira a que a aguda falta de talento e deprimente falta de imaginação do Valupi tentou dar patine intelectual é uma que acompanha Bruno de Carvalho desde a tenra eleição em que perdeu para o Godinho Lopes (Godinho Lopes): Bruno de Carvalho é um zé ninguém, se não fosse o Sporting não teria conseguido pagar as quotas para ver um jogo com as claques da superior sul, antes de ganhar as eleições tinha a mensalidade do condomínio em atraso (isto veio na “Nova Gente”, Valupi, não foi o Humberto Eco ou o Oscar Wilde que disseram), que utiliza a Presidência do Sporting para expiar a frustração de uma vida sem poder e abusar do mesmo por vaidade própria, que esta megalomania autocentrada não o deixa compreender que o Clube e o Desporto são maiores que ele e devem ser estes a ocupar o centro do palco, no fundo, que não se sabe comportar segundo os parâmetros a que o futebol nacional nos habituou, como o Pinto da Costa e assim.

 

Este raciocínio não está confinado a cavalgaduras como o Valupi, até porque o Valupi não seria capaz de ver o que quer que seja que não lhe tenha entrado nos cornos com as marteladas da vulgaridade; é um sentimento comum e partilhado por muita gente; portanto, é grande a probabilidade de ser um sentimento nobre, pelo que poderá ser elaborado de forma menos estúpida daquela com que o Valupi nos presenteou.

  

Por exemplo: ver o nosso Presidente, após uma vitória, no centro do terreno a receber aplausos como se fosse o olho do furação da nação sportinguista, é algo que a pessoa de bem costuma sentir com estranheza, por não ver nele o protagonista primeiro e último que leva o adepto ao estádio, o simpatizante ao café, e eu a jogar Chuckie Egg. 

 

A proeza que o Valupi consegue no seu texto não é só a de expôr de forma completa e brilhante a sua singular capacidade de montar estendais de trivialidades, é a de putrificar um conjunto de sentimentos perfeitamente atendíveis a uma imaginação moral humana digna e reduzi-los a uma pasta de impropérios e burrices que destroem qualquer hipótese de se fazer sentido com esta forma de expressão do humano e o caralho que é o desporto.

 

O texto começa pela seguinte inteligência

 

Antes de não gostar do Bruno de Carvalho já não gostava dele. Cheirava-me a fraude, soava-me a bazófia de quarta categoria. Chungaria engravatada.”

 

Está aqui tudo: a figurazinha de estilo do mais atroz gosto a abrir; o prurido micro-burguês contra quem chocalha os relógios de ouro a que só recentemente pôde aceder; o nojo de classe a quem anda de gravata quando se calhar nem curso superior tem. Tudo isto por quem, relembre-se, se acometeu da tarefa de ver complexidades na futilidade; estamos perante a perfeita autodefinação de uma besta: aquela que nem humor tem para se reconhecer no que descreve.

 

Depois desta abertura à old spice, prossegue Valupi em alimentar a sua coaguladíssima veia exegética com outra luz que lhe veio da pocilga que é a sua imaginação: Bruno de carvalho estaria com

 

ânsia de se apresentar como o novo Pinto da Costa”.

 

Vou explicar como é que isto nasceu: no primeiro jogo do Bruno de Carvalho enquanto presidente do clube de que o Bruno de Carvalho é Presidente o Bruno de Carvalho foi para o banco da equipa da qual é Presidente; ora, como o Pinto de Costa ia para o banco do Porto nos seus primeiros anos de Presidente, decorre que Bruno de Carvalho está com “ânsia de se apresentar como Pinto da Costa”. É assim, meus senhores, é desta forma que o Valupi ouve a frase do Umberto Eco ou do Oscar Wilde ou do caralho de que é fútil todo aquele que considera fútil dar atenção ao fútil. Eu conheci o Valupi, é careca; deve estar com ânsia de se apresentar como gajo com leucemia.

 

A melhor parte do texto do Valupi são as palavras do Bruno de Carvalho. Vou citar algumas delas, que o meu Presidente publicou na página de Facebook, e que o Valupi utiliza como suporte às labaredas da sua alma :

 

só nos restando

termos sido

é tempo de nos mostrarmos dignos deste clube

que nós profissionais também somos capazes

 

Após a citação do excerto onde estas palavras de encontram, esclarece-nos Valupi:

 

"Em que livro de gestão ou recursos humanos, de psicologia ou dinâmica de grupos, o animal foi buscar o conselho para humilhar publicamente um conjunto de profissionais que praticam uma actividade sujeita a factores aleatórios e ao mérito do adversário, a qual depende para o seu eventual sucesso não de ameaças mas de prémios, honras e boa comunicação interna? Que acha ele que vai acontecer a seguir?"

 

Ganhámos agora mesmo 4-2 à Merkel.

 

Fui aquecer uma sopinha, e atirei lá para dentro uns bocadinhos de pão torrados: estava muito bom, aplaudi-me a mim próprio. Após a lição, o Valupi atira-se finalmente ao enquadramento teórico:

 

[...] revela também uma concepção mecânica e voluntarista da prática desportiva, uma visão infantil – portanto, alucinada – onde as vitórias seriam a consequência directa de uma superior ambição. É o reino do pensamento mágico. É o inferno dos tiranetes.

 

A quantidade de merda dita só neste parágrafo dava utilidade a toda a qualidade de solventes que se conhecem; mas sou um corajoso partidário do empirismo do absurdo, pelo que desde já proponho que o Bruno de Carvalho instaure uma concepão “amecânica” e “avoluntarista” da prática desportiva, em que as “vitórias” apareçam como “consequência directa da falta de superior ambição”. Pá, quem sabe?, isto tem-nos corrido tão mal que se calhar é o caminho a seguir pelo Sporting, nunca se sabe.

 

Agora, e pulando Saramago, a questão permanece: o que é o “inferno dos tiranetes”? É um divertimento novo no Portugal dos Pequenitos? É mais uma citação do Gil Vicente pelo Umberto Eco? Ou, deus nos valha, tem a ver com o parágrafo onde a expressão está incluida? Se sim, isso quer dizer que o inferno é a visão infantil e portanto alucinada da concepção mecânica dos tiranetes mágicos pensado pelos voluntaristas do desporto? À cautela, o meu conselho ao Valupi é deixar de escrever na sanita depois de comer sopa de letras, suplicando também e desde já que não nos ponha ao corrente das suas tentativas de se ilucidar a si próprio.

 

Há aqui pagode, admito, um pagode em que entrei com uma alegria de outros tempos, sim, e um pagode que não nos deixa sequer tentar pensar; e não é por o Valupi ser incapaz de produzir ou transmitir uma realidade modicamente singular e vestigialmente filtrada por uma cabeça que agora nós, assim de repente, vamos conseguir fazê-lo. Parece, mas não somos malucos. A modéstia, neste caso, não é um modéstia.

 

O Valupi diz que “algo de belo” pode ser atingido a partir da presidência de um clube desportivo. No que é que o Valupi está a pensar? Ele explica: conseguir que “sócios e adeptos” passem a “aplaudir as equipas adversárias e os árbitros no começo e no final dos jogos em casa, fosse qual fosse o resultado”. Aqui não estamos apenas perante um louco que não tem a mais vaga noção das suas limitações; estamos perante um gajo que tem um plano, portanto, um gajo que só não é perigoso porque é burro.

 

Embora só o Valupi e mais meia dúzia tenham um plano, há muita gente que pensa que o desporto deve ser exactamente isto: não só um palco que coordene um combate em justiça de fisicos e de inteligências, mas um momento de exaltação de valores morais que um grupo de mânfios como o Valupi agora se estejam a lembrar. É uma luta antiga; ou moderna, sei lá. Não a acho, muito longe disso, inválida ou desinteresante, mas é preciso acautelar, antes de mais, que o debate seja feito à maior distância possível dos estádios e, se possivel, do próprio Valupi, que me quer ver a aplaudir os ranhosos do Benfica mesmo depois de levar três ou quatro batatas dos mesmos.

 

O que nesta questão me chama não são as complexidades (essas deixo-as para a já demonstrada fulminância do Valupi), mas a forma como se tenta estupidificar as pessoas que, como eu, vivem o desporto de forma desalmada. Quão otário se é preciso ser para confundir um apupo num estádio de futebol com uma demonstração de genuína irreflexão, ou seja, um pequeno sinal de uma violência que está destinada a explodir? Pior: que cabeça é que acha que provocar nos seus uma ovação ao adversário corresponde a uma educação?

 

Sem qualquer esperança, vou contar uma história ao Valupi: quando visito um dos meus melhores amigos de infância, temos por hábito jogar umas partidinhas de ping-pong em mesa que ele mantem em sua casa exclusimamente para o efeito; o que acontece é que no decorrer do jogo o progresivo estabelecimento do resultado costuma gerar uma animosidade entre os dois que não poucas vezes resulta em que nos deixamos de falar durante horas; a mulher dele, depois de ter sofrido dois ou tres jantares que com tanto esforço confecionou com um ambiente à mesa de cortar facas, navalhas e sabres, proíbiu-nos de jogar ping-pong antes das refeições.

 

O Valupi não compreende isto, pois não? Se calhar acha que se a mullher do meu amigo me obrigasse a aplaudir o seu esposo depois de com ele ter perdido ao ping-pong (o que raramente acontece, desde já comunico) os sentimentos que nos levaram a ficar naquele estado de mútua animosidade se esfumariam num mar de concordância civilizada? Não percebe o Valupi que o que faz a nobreza do desporto não é a sua capacidade de nos mover na direcção de um ideal que imaginamos preferivel, mas sim a energia com que, ao preço de quase zero, nos coloca perante a (alerta!, alerta!) futilidade (reconhece esta palavra, o Valupi?) do que nos move? 

 

O desporto é uma educação, mas deixará de o ser no exacto dia em que a visão mesquinha, corrompida e violentamente superficial do Valupi vença. No desporto ainda não existem príncipes que com génio administrativo consigam apontar às multidões o que serão comportamentos civilizados, muito menos que esses comportamentos correspondam a uma aprendizagem e a um auto-conhecimento; pelo contrário: o ponto fulcral e propriamente civilizante do desporto é que é das experiências ao nosso dispôr que com custo mais baixo mais perto coloca o individuo dos seus ânimos mais íntimos.

 

Não me admiraria nada que muitos outros arruaceiros como o Valupi tenham sonhos húmidos destes; o Bruno de Carvalho, como presidente do clube do qual é Presidente, tem uma única tarefa pela frente: fazer com que, respeitando as regras da competição justa que há tantos anos fazem a glória deste desporto, o seu clube ganhe. Pode parecer estranho, mas é só isto. Não é mais, nem menos; não deve ser mais, nem menos: é só, e já é uma benção.

publicado por maradona às 00:58
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Terça-feira, 3 de Junho de 2014

http://threeboysonecup.tumblr.com/

Durante o Mundial Brasil 2014, estarei a comentar o mesmo neste espaço; acompanhado que estou de duas pessoas que mantêm sempre uma arrepiante dignidade perante os dispositivos da língua portuguesa, vou ter que tentar não produzir erros ortográficos, o que com certeza me esgotará. Além de comentários, podem também perguntar merdas e o caralho, bastanto para isso carregar naquela cena no topo da página.

publicado por maradona às 13:39
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Quinta-feira, 22 de Maio de 2014

Secar as lágrimas

Não quero aventurar-me na odisseia intelectual de justificar a beleza moral do centralismo democrático, muito menos voltar a mexer na anti-situacionista declaração bombástica relativa às mamas da Alexandra Lucas Coelho, sem antes voltar a direcionar-vos para a história do Hernani Cardoso e da bicileta do Eric Feng. A imagem que a seguir reproduzo é a do nosso herói, e a bicicleta a do Eric Feng; o texto em inglês é do prórpio Hernani Cardoso:

 

    

"It's been a crazy year so far.
I'm selling everything I own so I can go for my 8 years World Tour without worries.

I'll leave on the 20th MAY from Guimarães Castle, where Portugal was "born" some 900 years ago."

 

É ir acompanhando.

publicado por maradona às 03:50
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Sábado, 17 de Maio de 2014

Tenho uma lágrima no canto da cremalheira

Antes do prometido post que faz uma defesa alargada do centralismo democrático, e de um outro que me tem apetecido escrever sobre a Alexandra Lucas Coelho, a de magníficas mamas, deixem-me que vos remeta para o seguinte romantismo: um chinês, Eric Feng, veio de bicicleta lá da terra dele (a China) para Portugal, 18000 km a pedalar pela memória do Infante Dom henrique e dos descobrimentos portugueses, e que deveria terminar no Cabo de São vicente, da fantasioasa Escola de Sagres (provando-se assim que as palavras são quase sempre mais resistentes e empreendedoras que a realidade). Correu tudo bem na Birmânia, na Índia, no Paquistão, no Iraque, na Jordânia e demais, mas em Sines roubaram-lhe a bicicleta, épico evento à altura amplamente noticiado. Sabendo disto, um aventureiro português que também anda nas lides da bicicleta de longa distância, Hernani Cardoso, contactou o desgraçado do Eric Feng que após 18000 km ficou a 200 de cumprir o seu objectivo, emprestou-lhe uma bicicleta dele, e fizeram os dois o caminho final até Sagres. Bonito, não é? Pois bem, depois da partida de Eric Feng a bicicleta do Eric Feng foi recuperada pela nossa sempre extraordinária polícia; vai daí, Hernani Cardoso teve a genial ideia de ir até à China devolvê-la ao Eric Feng, fazendo também ele todo o percurso de bicicleta, na bicicleta do Eric Feng roubada em Sines dois anos antes. A dita coruja bicicleta é esta, a viagem começou por estes dias de agora, e vai ser descrita neste site. No meu entender, o Presidente da República o Professor Doutor Aníbal António Cavaco Silva, dando continuidade ao excelente trabalho que até aqui tem vindo a desempenhar como chefe máximo desta merda toda, deveria, uma vez completada a transação, homenagear com uma daquelas grãs cruzes ou o caralho estes três magníficos exemplares da espécie portuguesa e chinesa: o Eric Feng, o Hernani Cardoso e o ladrão da bicicleta do Eric Feng.

publicado por maradona às 01:12
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Segunda-feira, 7 de Abril de 2014

És um estúpido; parabéns!

publicado por maradona às 00:46
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