Um blogue with dense argument, modernist poetry, long political tracts, and texts that need careful attention and slow reading; acausafoimodificada@hotmail.com
Uma pessoa dedicada inclusivamente à literatura, como eu e o irremediavelmente vasto conjunto de pessoas genericamente designado por "gajas", mas que só ontem, em derivado à sua (minha) modéstia, foi capaz de admitir que as pessoas da Fnac têm razão em colocar o Atlantic: The Biography of an Ocean do Simon Winchester na secção de história, já, dizia eu em mim, não em me bastava ser uma pessoa que não cumpre com os seus deveres (ainda que possa apresentar atestado médico), senão também ser confrontado com realidades como as que me obrigam a intervir naquilo para onde não fui chamado, como esta vasta manisfetação de coisas com que eu ou não concordo ou apenas concordo mais ou menos.
A situação do Busquets é de uma antiguidade implausímel, para não dizer implausível; é antiga porque já em 2008 a Espanha deveria ter jogado com o Busquets em vez do Senna, mesmo que este Senna, se não me engano, tenha sido considerado o melhor jogador desse torneio. A partir daí o mito do Busquets não parou justificadamente de se inflacionar, culminando, para mim, na sua performance contra a Alemanha nas meias finais de 2010, onde terá portagonizaado a melhor exibição de um médio-lá-onde-ele-joga que alguma vez vi na vida. Logo na altura fiz referência ao assunto, com os vídeos adequados; e aqui bate um vigéssimo do meu ponto: é estranho que o Entre Dez tenha gasto tantos pixeis quando, bem vistas as coisas, bastaria este mais que magnífico video do Real Madrid-Barcelona do fim-de-semana passado:
São inúmeros os vídeos que tentam ilustrar a mestria desenfreada deste génio do futebol, da arte e da literatura, e suas excelências não perderão o vosso tempo se procurarem mais. O meu objectivo presente é apenas o de me revoltar contra a seguinte afirmação do post do Gonçalo:
E assim, finalmente, chegamos a Busquets. O número 16 blaugrana não apresenta dotes técnicos extraordinários. Tão pouco é um jogador muito forte nos duelos individuais.
O problema maior desta frase é que nós compreendemos - e em certa e limitada medida concordamos com - o que ele quer dizer; mas a nossa compreensão do que o Gonçalo quer dizer não contamina de maneira muito óbvia o raciocinio que terá gerado a opinião do próprio Gonçalo: será que ele percebe o que é que ele está a tentar dizer ao longo do post?
Na opinião do meu sistema nervoso central, dizer que o Busquets "não apresenta dotes técnicos extraordinários" e que não será "muito forte nos duelos individuais" é uma forma demasiado ingénua, muito pouco delicada e, na verdade, inverdadeira, de reforçar a ideia de que o Barcelona de Guardiola é a organização futebolística mais perfeita que o mundo já viu. E para a desqualificar bastaria olhar para as imagens, santo deus! Mas parece que não.
A incompreensível máquina de bom futebol vencedor que é hoje o Barcelona não teria mais hipóteses de existir sem o Busquets que o Busquets sem o Barcelona; isto porque os movimentos do Busquets, a tal forma como ele "lê" o jogo ou "cria linhas de passe", são tão consequência de "dotes técnicos extraordinários" e de ser um "jogador muito forte nos duelos individuais" como as características que fizeram do Messi o melhor jogador do mundo. Este raciocinio vale para os restantes jogadores centrais ao Barcelona: Piqué, Xavi, Iniesta (e Messi). Busquets só há um, e, aposto, só haverá um, porque os seus dotes técnicos são demasido extraordinários para que nasça outro no mesmo local, e a sua supremacia nos duelos individuais excessivamente completa para que surja outro na vizinhança do actual periodo temporal.
O "futebol que este Barcelona conceptualiza" pode ter possibilitado um inusitado florescimento a cada um destes cinco violoncelos (até Messi, na selecção Argentina, parece apenas o Laudrup no topo da forma), mas em nenhum momento admitirei que qualquer um deles não fosse indispensável à eficiência de um maquinismo futebolístico avulso onde calhassem a colocar os seus pés; em resumo: o actual Barcelona é uma conjução astral única, estatisticamente improvável, e condenada à irrepetibilidade.
Tenho ainda muito a dizer sobre esta merda. Com dois ou três pataços seria fácil refutar qualquer destas imbecilidades. Mas desinteressei-me. Estejam todos bem fodidos.
Hoje, como de costume, irei apresentar os meus respeitos às mais jovens prostitutas desta cidade.
De sniper chicken a 25 de Janeiro de 2012 às 13:02
venho por este meio solicitar á gerência da tasca um novo post pelos seguintes motivos: 1 - a posta actual está fraca 2 - o tema é desinteressante 3 - tou farto do barça até à ponta dos cabelos, mas quero ver mais um baile de bola hoje à noite 4 - busquets??? até o bynia jogava nesta equipa!! 5 - vivemos um período de grave asfixia democrática, o relva está a cumprir tudo o que espravamos dele, o cavaco está choné, e não temos primeiro ministro. 6 - exige-se, deste modo, um post sério que trate a actualidade politica do país 7 - e que possibilite uma discussão séria com os devidos ensaios escritos pelos devidos ensaístas e aççeççores 8 - a discussão deste post tá fraca. toda a gente tem a mania que sabe de bola, o que torna estas merdas inuteis.
De Rainha das Bichas do Chiado a 25 de Janeiro de 2012 às 10:44
A FNAC de Santa Catarina estragou a selecção de DVD's. Foram-se os clássicos e os realizadores europeus, agora infestaram aquilo com merda comercial de Hollywood!
De José Mário Bronco a 25 de Janeiro de 2012 às 03:50
Ao ler esta posta, completamente ao lado, do maradona, lembrei-me de uma história que uma vez ouvi ao Brian Clough: ele dizia que dava sempre oportunidade de os jogadores exprimirem as suas opiniões sobre aspectos mais tácticos da equipa, a partir daí pedia para eles ficarem calados e fazerem o que ele lhes dizia porque ele é que sabia e tinha razão.
Cumpre-me a mim, nesta posta, fazer de Brian Clough, enquanto o maradona e a maioria dos comentadores fazem de jogadores do Nottingham Forest. Ou seja, já falaram tudo o que vos veio à cabeça, o maradona até escreveu coisas lindas como “incompreensível máquina de bom futebol vencedor”, por isso, agora calam-se e ouvem o que eu tenho para vos dizer sobre o Barcelona, para ver se abrem a pestana e ficam a saber alguma coisa sobre os temas em geral e o assunto em particular.
Na minha qualidade de gajo que tem a SportTv mas que esta época ainda só viu um jogo inteiro do Barcelona – aquele em que pregaram um cabaz ao Mourinho – sou o tipo mais capacitado para analisar a sua maneira de jogar, não sem antes declarar à humanidade que não vi mais jogos do Barça porque tenho coisas mais interessantes para fazer. Como, por exemplo, ver o Cardiff contra o Crystal Palace, que foi o que hoje fiz, embora interrompido pelo barulho da peixeirada em que se transformou a reunião de condóminos do meu prédio, na qual não estive presente, mas da qual já sei tudo, tamanha foi a gritaria.
Então é assim. O Barcelona é hoje motivo de divagação para todo e qualquer cromo que ache que mandar umas larachas sobre bola fica bem. Não há coxo, maneta, zarolho ou portador de bicos-de-papagaio que não verta lágrimas sobre o Barcelona, sempre com muita poesia de pacotilha à mistura. Do Marcelo ao barbeiro da esquina toda a gente alinha umas merdas dignas de menção honrosa no concurso de poesia da Escola C+S de Aveiras de Cima. E quanto menos sabem de bola mais deliram com o tema. Deixá-los, acaba por lhes passar. Mas já acho possível que o Pacheco Pereira ou o Mário Soares um dia destes também vertam uma lágrima com uma vitória do Barcelona.
Neste blog a malta já está um passo à frente. Enquanto a populaça delira com o Messi e soletra Xavi ou Xabi e Iniesta que até parece Nesta, o maradona deu o mote e aplicou a téctica “sou tão bom nisto que vejo o que mais ninguém vê”, ou seja, entra na FNAC ao pé-coxinho só para que as pessoas olhem para ele. Passo a explicar: o truque consiste em escolher um jogador, daqueles menos referidos como sendo parte da “incompreensível máquina de bom futebol vencedor”, e apresentá-lo como a oitava maravilha do mundo e o verdadeiro cérebro daquela merda toda. Sorteado o nome, ao maradona saiu o Busquets. De seguida alinham-se umas generalidades, daquelas que servem para o Messi, o Ronaldo ou o Vandinho, para embelezar a coisa e mostrar a perspicácia do autor. Se tivesse saído o Abidal ou o Puyol servia na mesma. Este truque aplicado ao Real, esperem um pouco, deixem ver quem saiu... olha saiu o Lasse. Então fica assim: esqueçam o Ronaldo, o Di Maria ou o Xabi Alonso, o motor do real é o Lasse... e por aí fora. Experimentem aplicar o truque amanhã quando vierem à rua fumar o cigarro com os colegas: lembrem-se do vosso clube, tirem um jogador dos menos conhecidos à sorte, e soltem o delírio puético. Vão ver que no resto do dia não se vai falar de outra coisa “fosga-se, o cabrão sabe de bola.”
Sobre o Busquets: como é que ele gosta mais de se atirar ao chão, de frente ou de lado?
De sniper chicken a 25 de Janeiro de 2012 às 10:13
tens toda a razão bronco. tomemos como exemplo o sporting clube de portugal, clube com mais de 25 mil titulos todos devidamente catalogados e arrumados.
como se explica a incompreensivel máquina de jogar futebol, que é o sporting, ser ter em consideração o talendo de jogadores como joão pereira, andré santos e carriço? toda a gente fala do scharrs, do elias, do volkswagen e do oniénhu, mas a máquina de bom futebol em que o sporting se transformou nos ultimos anos, sem estes jogadores, não pode ser compreendida na plenitude.
Queridos amigos, Hoje portei-me bem, fui dar uma volta para não vos estragar os raciocinios nem sujar a pantalha :)))
Agora que já sairam de jogo ... deixo aqui a minha abalizada opinião :
O Barça seria chato como a potassa se não fosse haver um Busquet que segue ainda uma técnica antiga de representação :))) é um autêntico talento ; adoro-o ver atirar-se para o chão* e outros truques sui generis numa equipa ordenada e maçadora como o Barça.
*
Vá lá, foram gentis e só chamaram-me maçadora :)))
De Carles Rexach i Cerdà a 24 de Janeiro de 2012 às 22:41
Viendo las malas formas que Zéquinha demuestra con la prensa contestando con monosílabos a las preguntas y viendo la penosa imagen que ha dado al Real Madrid, no es de extrañar que la Central Lechera ya no se corte en criticar al portugués. Eso sí, podrían haberlo hecho antes que con el dedo en el ojo de Vilanova, las excusas arbitrales, las excusas de calendario o las acusaciones de mano negra en la UEFA había motivos suficientes. El diario As, que se ha subido al carro de atizar a Zéquinha por todos lados, llama hoy a Zéquinha en su portada “Don imprescendible” hablado abiertamente de la marcha del portugués a final de la temporada sin problemas. Además, el director del diario y creador de esa gran mentira llamada ‘Villarato’, Alfredo Relaño, compara a Zéquinha con el capitán del Costa Concordia al querer saltar del barco antes de tiempo. “El ego de Zéquinha sufre. Sufre porque ni la afición ni los jugadores están satisfechos con salir acobardados ante el Barça y se lo hacen ver. Los jugadores de palabra y la afición con música de viento. Y Zéquinha desliza que se va, que piensa saltar del Madrid como Schettino del Costa Concordia”, dice. “¿Qué arreglo tiene esto? Echar a Valdano era un mal trago, pero los malos tragos pasan. Ahora, ¿cómo se le desagravia? Habría que echar a Casillas, a Sergio Ramos y a esos cuantos miles de socios que le pitaron cada vez que los ultrasur arrancaban sus gritos de apoyo hacia él. Me temo que tendrá que marcharse, y que tanta paz lleve como gloria deje. Y si se lleva tras de sí a los ultras, mejor. Juntos lo pasarán divinamente en cualquier otra parte, sin tanto pseudomadridista como hay por estos pagos. Y si se queda, que no maree. Y que salga con valentía en el Camp Nou”, finaliza. El divorcio de Zéquinha con la prensa cavernaria es total y en Madrid ya se preparan para recibir como nuevo salvador del madridismo al técnico que ocupe el banquillo del Bernabéu la próxima temporada.